O mesmo lar, histórias diferentes
Três filhos podem crescer na mesma casa e, ainda assim, viver infâncias completamente diferentes. Porque não é apenas sobre o que aconteceu, mas sim como cada experiência foi sentida, percebida e interpretada.
Às vezes, uma criança cresce acreditando que precisa "chamar atenção" para ser vista e, assim, merecer amor. Outra aprende a se calar para não incomodar, como se sua presença precisasse ser diminuída para caber. E há aquela que segue tentando entender por que, mesmo fazendo tudo “certo”, nunca se sente suficiente.
Em muitos casos, ninguém disse diretamente “você não é importante”. Mas a ausência de presença afetiva, a falta de escuta, as comparações, as críticas ou até mesmo aquilo que foi repetido ao longo do tempo vão silenciosamente, moldando a forma como essa criança passa a se enxergar, e isso vai impactar na vida adulta.
E quando alguém cresce carregando a sensação de não ser importante, de não ter espaço para sua voz, de não encontrar acolhimento, algo dentro dela começa a procurar explicações. Surge a tentativa constante de entender o que há de errado consigo, como se a inadequação fosse uma falha pessoal, e isso inconscientemente pode ser repetido nos relacionamentos, onde podem surgir dificuldades de se enxergar, de perceber o que é seu e o que não é.
Mas, muitas vezes, o que essa pessoa busca não está fora. Não é sobre se encaixar, provar ou corresponder. O que ela quer talvez seja aos poucos, encontrar um lugar dentro de si , um espaço onde sua existência possa, finalmente, ser reconhecida, acolhida e validada.




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